O RATO ROEU

* Edgar Antunes Pereira

Acompanho as apresentações dos candidatos “prefeitáveis” no horário eleitoral gratuito. Fico a analisar suas falas auto-elogiosas ao ser e ferir em às qualidades pessoais, administrativas e virtuosas que têm para gerir com êxito a nossa Montes Claros. Nada como o tempo e os novos, jovens eleitores de memó­ria recente, para apagar o passado. A memória do povo é curta. Os jovens não estiveram presentes no passado, na cena do cri­me e, assim, a ignorarem o perfil de cada um dos candidatos, tornam-se vítimas fáceis da boa lábia. O candidato Tadeu, nesta semana, dedicou sua fala à saúde e educação. Falou que a atual administração cuida mal destas essenciais áreas para o desenvolvimento humano. Que, na ad­ministração dele, no passado, a coisa era diferente; que sempre cuidou da criança estudante. Da alimentação escolar, criança com fome não aprende. Da saúde, criança doente também não. Concordo, em parte, com o candidato e ex-prefeito Tadeu Leite. É necessário um bom acompanhamento da criança. A alimentação e o cuidado com a saúde são mesmo fundamentais à formação dos futuros cidadãos. Mais inteligentes e saudáveis, que, hoje, saberão votar e, conseqüentemente, alijar do cenário político candidatos, como ele, demagógicos, populistas. Discordo quanto à sua eficiência no passado para cuidar da saúde e alimentação escolar. Reavivando a memória, passo a contar apenas dois fatos que chocaram Montes Claros. Todos conhecem o Hospital Aroldo Tourinho. Em uma das gestões do candidato Tadeu Leite, ele foi administrado pela muni­cipalidade. Chamava-se Hospital Municipal. Graças a Deus, pos­teriormente, assumido pelo grupo Matsulfur, foi reformado e ge­rido, através de fundação; à frente o diretor da empresa, João Bosco Martins de Abreu, cidadão montes-clarense por reconhe­cimento. Nesta época, aconteceu, graças à gestão de Bosco, a transformação do lixo no que é hoje um respeitado hospital.

Todos se lembram bem do desmazelo e sujeira do Hospital. Seus corredores eram pistas disputadas por pacientes, visitan­tes, ratos e baratas. Lençóis imundos e rasgados cobriam os doentes. Paredes sujas, reboco a cair e a iluminação péssima complementavam o cenário do nosocômio. Médicos poucos. Nesse palco é que aconteceu a tragédia registrada nos jor­nais de então e, hoje, talvez inteiramente esquecida. O rato roeu o rosto de uma menina interna para tratamento. Esses médicos que hoje se apresentam, no horário gratuito eleitoral, adarem depoimentos favoráveis ao candidato, conhe­cem bem o fato. Coisas da democracia. Do caráter individual. Quanto à merenda escolar, distribuída nas escolas munici­pais, era de péssima qualidade, super faturada e, não raras ve­zes, vencida, a apresentar forte cheiro e ataque de insetos -carunchos, besourinhos, moscas, etc.

Tal situação foi denunciada na Câmara Municipal pelo médi­co e vereador Hélio Guimarães e apurada por CLI – Comissão Legislativa de Inquérito. Os alunos, professoras e diretoras da rede municipal de ensino de então se lembram muito bem do fato e podem, agora, dar seu testemunho, a alertar sobre a verdade desse triste episódio, conhecido como o “Escândalo da Merenda”. E aí…

Nunca mais o rato roerá…

* Edgar Antunes Pereira é advogado, jornalista e empresário

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