MINAS OU GERAIS?

Matias Cardoso quer dividir com Mariana posto de “capital simbólica” de Minas Gerais
Minas são muitas: Igreja histórica em Matias é o marco das origens agropastoris do Estado
Matias Cardoso, no Norte de Minas, retoma a campanha aberta para dividir com Mariana a honraria de ser a capital simbólica do Estado durante 24 horas, conforme determina o artigo 256 da Constituição Estadual. Anualmente, a capital é transferida para Mariana a cada dia 16 de julho para as comemorações do “Dia de Minas”, data simbólica instituída há 30 anos.
Agora, o deputado Paulo Guedes (PT) encampa proposta do Movimento Catrumano (iniciativa que visa resgatar o papel do Norte de Minas na formação do Estado) e acaba de apresentar na Assembléia Legislativa proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a criação do “Dia dos Gerais”, com a proposta de transferência também simbólica da capital mineira para Matias Cardoso no dia 8 de dezembro, em referência ao dia consagrado à Nossa Senhora da Conceição (foto), cuja matriz erguida no século XVII naquele município é um marco histórico e referência do desbravamento dos sertões mineiros.
Há pouco mais de dois anos tramita na Assembléia outra PEC no mesmo sentido de autoria da deputada Ana Maria Resende (PSDB). O prefeito de Matias, João Cordoval (PT), chegou a participar de audiência pública na Casa naquela ocasião, mas o projeto não andou.
O assunto voltou à ordem do dia durante audiência pública recente da Comissão de Cultura da assembléia legislativa de Minas Gerais em Matias Cardoso, na quinta-feira 21/08, para tratar do roubo de três peças sacras do século 18 da Igreja Nossa Senhora da Conceição.
A proposta de se instituir o “Dia dos Gerais”, diz Paulo Guedes, tem o objetivo de contribuir com a revisão histórica da fundação do Estado. Com base em documentos oficiais produzidos pela administração portuguesa na Colônia e também considerados outros registros feitos por viajantes e estudiosos da época, descobriu-se que as origens mineiras estão ligadas à conquista e povoamento do Norte e Vale do Rio São Francisco. Fato que, segundo o deputado, remete ao reconhecimento tardio do município Matias Cardoso como primeiro povoado plantado nas imensidões dos gerais.
A tese é defendida pelo Movimento Catrumano, que tem como principal objetivo implementar um plano de desenvolvimento para o Norte de Minas, a partir do aproveitamento das potencialidades locais e a valorização de suas manifestações culturais.
A conquista e ocupação das terras do Vale do São Francisco foram iniciados, segundo a historiografia, com as entradas e bandeiras que, em Minas, a expedição de Espinosa inaugura no meio do século XVI, encerrando-se com a fixação dos currais de gado em Matias Cardoso, no final do século XVII, quando também começa a história da mineração.
“A comemoração do ‘Dia das Gerais’ vai reconhecer e valoriza as duas formações do Estado: uma originária das minas de ouro, que tem Mariana como símbolo e a outra dos Gerais, cuja origem é exatamente o antigo povoado do Matias Cardoso”, assinala o deputado Paulo Guedes na defesa do projeto. Além do deputado Paulo Guedes, o documento recebeu mais 31 assinaturas de outros parlamentares.
História
As comemorações do “Dias das Gerais” é uma referência à lendária figura do bandeirante Mathias Cardoso de Almeida, fundador do arraial de Morrinhos (atual Matias Cardoso), que veio a se tornar a primeira povoação da região norte-mineira, fixada em data incerta, na segunda metade do século XVII, onde foi instituída a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Morrinhos, em 8 de dezembro de 1695, pelo arcebispo de Salvador, dom Frei Manuel da Ressurreição.
O antropólogo e professor da Unimontes, João Batista de Almeida Costa, propõe a revisão do fato consensual até então de que a região de Mariana teria sido a primeira a ser povoada no início da colonização. Defensor da instituição do “Dia dos Gerais” em Matias Cardoso, o professor Almeida Costa diz que o município norte-mineiro foi fundado em 1695, um ano antes de Mariana – berço da ocupação mineira. O antropólogo sustenta que o primeiro núcleo de povoamento do estado foi Matias Cardoso.
“Nos séculos XVII e XVIII, Mariana e Ouro Preto se destacaram pelas riquezas minerais, em especial o ouro. Mas a região que produzia alimentos era o Vale do Rio São Francisco, onde se expandiram as criações de gado”, explica o antropólogo Joba Costa. O estudioso destaca que existem duas identidades relacionadas com o surgimento da identidade do povo mineiro: a agropastoril e a mineradora.
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