O gato comeu a língua do menino falador

*Lucreciano Rocha
Este título e os demais fragmentos foram tirados do poema O CIRCO DOS HORRORES que eu escrevi num momento de angústia e grande decepção com a política, muito parecido com o que vivi naquela fatídica reunião do PT de Montes Claros que deliberou pela participação no governo Tadeu. Estranharam a minha participação silenciosa, perguntando se o gato havia comido a minha língua e exigindo de mim, uma maior participação no debate, além do voto NÃO declarado em bom. E eu pergunto qual debate?
Recorro a outro trecho do poema para retratar a minha perplexidade naquela torre de babel: O BOBO DA CORTE MARCOU BOBEIRA E A MULHER BARBADA DEIXOU CAIR A MÁSCARA. (Um verdadeiro circo com todo o respeito que a comunidade do circo merece). Por isso preferi o silencio naquele “debate” de cartas marcadas onde a decisão se dava por outras vias.
Riobaldo Taturana, personagem de Guimarães Rosa, quando foi escolhido para comandar o bando, sentiu o peso da responsabilidade, e comentou: “Moço”! Ali eu vi que estava aprendendo a lidar com o brinquedo do mundo. Esse peso faltou aos companheiros petistas que agiram movidos por interesses tão miúdos e a história vai cobrar caro por essa imprudência.
Maquiavel enumera quatro formas para se chegar ao poder: por herança, pelo crime, pelas armas com virtudes alheias e pelas armas com nobreza. O PT, sem vocação para o crime, sem armas e sem direito adquirido por herança, inventou uma nova via: o oportunismo vicioso e irresponsável.
Perdemos a melhor oportunidade de tirar lições da coligação anterior, fazendo avaliação criteriosa capaz de balizar alianças futuras. Ainda não aprendemos a lidar com o brinquedo do mundo, deixando o desejo de poder imediato sobrepor ao nosso projeto. OS POMBOS DO MÁGICO VOARAM E O CUIDADOR DESCUIDADO ESQUECEU DE DAR ÁGUA AOS URSOS .
A reunião de 31 de Janeiro poderá ser de grande valia e até reorientar o partido a retomar seu caminho. Apontando uma saída honrosa para a crise, com uma participação crítica e os interesses partidários acima das ambições pessoais.
Eu acredito que já estamos maduros o suficiente para entender que o poder é passageiro e despensa malabarismos. Estamos agindo como um menino birrento, que após um domingo no parque, volta chorando, só porque o pai não levou à roda gigante pra casa. Meu poema termina de forma melancólica: NÃO HÁ MAIS FILA NEM FILAÇÃO NEM FILARMÕNICA. Mas o glorioso partido dos trabalhadores é maior que o circo e certamente gozará de melhor sorte e eu quero estar contribuindo além de votar.
Se o gato devolver minha língua.
*Filósofo, professor e membro Diretório Municipal do PT de Montes Claros
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