O QUE RESERVA O FUTURO?

Por Geraldo Elísio via Novo Jornal
Em 54 forças reacionárias, antinacionalistas, levaram Getúlio ao suicídio. Ele que voltara ao Poder nos braços do povo, em eleições diretas, mesmo egresso de uma ditadura de 15 anos da qual fora derrubado, sendo substituído pelo marechal Dutra.
Isto adiou em 10 anos o golpe de 64, perpetrado pelas elites dominantes que foram bater às portas dos quartéis e a política de alinhamento automático com os Estados Unidos. Coisas da Guerra Fria.
Em 82, o povo farto de tanta exceção institucional e findo o “milagre brasileiro” com o general Médici dizendo que o Brasil ia muito bem e o povo muito mal, elegeu livremente os primeiros governadores dos estados, pós 64. Em Minas, Tancredo Neves derrotou o atual senador Eliseu Resende e assumiu o Palácio da Liberdade.
A primeira entrevista coletiva de peso do novo governo, depois de Tancredo, foi a do general Golbery do Couto e Silva, dada na Secretaria de Estado da Cultura, organizada pelo ex-embaixador José Aparecido de Oliveira, na época chefiando a Pasta de Cultura.Mas o povo queria os seus direitos por inteiro.
Em 1984 os brasileiros se mobilizaram pelas Diretas-Já, lideradas por Ulisses Guimarães. Porém, a Emenda Dante de Oliveira foi derrotada.
Nos palanques, Tancredo trabalhava a favor das Diretas-Já e, nos bastidores, manobrava para que a eleição fosse indireta, o que interessava a ele e aos militares que temiam retaliações, precisando de um nome confiável. Daí a entrevista de Golbery, o artífice do golpe e também do desmonte do mesmo.
Na Praça Carlos Chagas, em Frente à Assembléia Legislativa de Minas, existe um monumento mandado construir ao tempo em que o deputado Mauri Torres era presidente da ALMG, onde aparece à frente a estátua de Tancredo Neves e, em segundo plano, as estátuas de Ulisses Guimarães e Teotônio Vilela.
Junto à Dr. Tancredo folhas de papel com o dístico “o primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”.Para que a história seja correta deveria haver uma inversão: primeiro a estátua de Ulisses Guimarães, o “Senhor Diretas”, vindo a seguir os demais.
A frase junto a Tancredo não foi cunhada ao tempo da campanha das Diretas-Já e sim escrita pelo ghost writer, jornalista Mauro Santayana, no discurso de posse após as eleições de 82.
O ex-conselheiro do Tribunal de Contas, João Bosco Murta Lages, morreu reclamando não ter guardado o original escrito por Santayana.
Além desta frase, Tancredo Neves disse ainda: “A dívida do nosso País não será paga com o sangue dos brasileiros.” A propósito, o neto dele, o governador Aécio Neves, ensaia candidatar-se à Presidência da República.
Ótimo! Há muito Minas deseja ver um de seus filhos no comando do País. Itamar Franco chegou lá pegando carona com Fernando Collor de Melo que acabou sofrendo impeachment.
Mas são preocupantes alguns fatores a envolver a candidatura de Aécio. Primeiro, num momento de rara infelicidade inspirado por Itamar, a mídia publicou uma foto dele, Aécio, e do vice-presidente da República, José Alencar, com as mãos superpostas e a legenda “Minas contra São Paulo”. Se todos somos brasileiros, o gesto ganha ares de pueril.
E São Paulo detém 50% do PIB nacional e tem o maior colégio eleitoral do Brasil. Sem contar a amplitude de seus meios de comunicação e a influência que exerce sobre o Triângulo e o Sul do Estado de Minas Gerais.
Em segundo lugar, a constância com que surgem acusações de censura de imprensa envolvendo o governador Aécio Neves ou a sua irmã, a senhora Andrea Neves.
Verdade ou não isto não é um bom cartão de visitas para quem deseja ser presidente.
Da parte do Novojornal, sentimos isto na pele, mas felizmente a Internet tem características mundiais que fogem a determinados comportamentos e estamos aqui com o nosso número de acesso cada vez maior.
Se é verdade, um governante paga para que se diga bem dele, paga para que dele nada de mal seja dito, e o que é pior, acredita ser real a sua própria imagem produzida a peso de dinheiro, algo está errado.
Em terceiro, e mais preocupante é a possibilidade de adoção em nível nacional do “choque de gestão”, que ninguém sabe ao certo o que é, mas é claro, atende aos objetivos restritivos do Fundo Monetário Internacional – FMI – envolvendo lesões e riscos profundos às aposentadorias, garantias sociais e apontando para desemprego em massa, num instante em que o mundo vive a angústia da crise econômica que tem como epicentro os Estados Unidos da América.
Ao reverberar contra Fernando Henrique Cardoso, ao tempo em que FHC ocupava a Presidência da República, o ex-vice-presidente Aureliano Chaves disse que “nos países de primeiro mundo, a eficiência dos governantes é medida pelo número de empregos que eles criam.
No Brasil, a eficiência de um governante é medida pelo número de desempregos que ele produz.” Nos Estados Unidos, símbolo da esperança, Barack Obama quer criar quatro milhões de novos postos de trabalho. Por isso a esperança.
Quando o doutor Tancredo Neves derrotou Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, vivíamos um período de sociedade civil contra o militarismo então reinante.
Hoje a disputa envolve civis contra civis e também aqui a esperança é de empregos e salários melhores que os subsalários existentes.
O assunto serve para ser meditado.
Geraldo Elísio escreve no “Novo Jornal“. Prêmio Esso Regional de jornalismo, passado e presente embasam as suas análises.
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