Estudantes protestam pelo meio-passe – Manifestação suspendeu reunião da Câmara Municipal

Mais de 200 estudantes fizeram uma grande manifestação em frente aos prédios da Prefeitura e da Câmara Municipal, cobrando do Poder Público a implantação do meio-passe estudantil em Montes Claros. Por causa do tumulto, a sessão ordinária da Câmara desta terça-feira, 31, foi suspensa. A lei municipal número 4008/08 foi aprovada há mais de 6 meses pela Câmara Municipal e sancionada pelo ex-prefeito Athos Avelino, para ser aplicada a partir do dia 27 deste mês. Seis meses após sua promulgação. O atual prefeito Luiz Tadeu Leite, que em 2008 patrocinou manifestações para que a lei original – que limitava a abrangência do benefício, face à impossibilidade de o Município arcar com os custos -, fosse inviabilizada, não implantou o meio-passe alegando justamente restrições orçamentárias. A aprovação do meio-passe estudantil foi precedida por tensões provocadas pela oposição ao ex-prefeito. Depois de muita negociação com representantes dos estudantes, o Executivo elaborou o projeto de lei e o encaminhou ao Legislativo. O então vereador Lipa Xavier (PC doB), orientado por Tadeu, a quem se aliou, liderou movimento de manipulação dos estudantes, conseguindo pressionar os vereadores a alterarem a lei, estendendo o benefício a todos os estudantes, sem nenhum critério, inclusive de renda.
Antes, no meio do ano passado, esteve à frente de uma manifestação gigante, em frente à Prefeitura. Milhares de estudantes, liderados por milícias trazidas de várias partes do país, arriscaram as vidas em confronto com a Polícia Militar. O movimento foi estrategicamente marcado para um dia em que o então prefeito estava ausente do prédio da Prefeitura, acompanhando representantes do Governo de Minas em viagem pelo Norte de Minas. Apesar disso, a coordenação do movimento insistiu para que uma comissão de estudantes fosse recebida por Athos Avelino, recusando a alternativa de conversar com um grupo de 5 secretários que se propôs a receber a representação estudantil.
O impasse fez com que a manifestação se transformasse em atos de selvageria, com depredação do patrimônio público.
A PM apreendeu pedaços de ferro e bombas de fabricação caseira (coquetéis molotov), utilizados por líderes estudantis de São Paulo e Rio Grande do Sul, infiltrados no movimento.

A oposição inverteu os fatos e responsabilizou o então prefeito pelo tumulto, para tirar proveito eleitoral.
Na manifestação desta terça, os estudantes acusaram Luiz Tadeu Leite de omissão sobre a lei. Segundo eles, a economia anual de um estudante que usar os 70 vales a que ele teria direito mensalmente é de R$ 651. “Com esse dinheiro você poderia comprar mais de 130 entradas no cinema, ou ir ao teatro mais de 70 vezes, ou até mesmo comprar 30 bons livros”, protestou um dos manifestantes.
Proveito político

Tadeu conseguiu seu objetivo de tirar proveito político do fato, mas Lipa Xavier, que fora eleito sucessivamente empunhando a bandeira do meio-passe, naufragou nas urnas. Como a proposição de uma lei dessa natureza é do Executivo, a iniciativa do ex-prefeito em propor o meio-passe acabou descolando o benefício da imagem de Lipa. Sempre no último ano da legislatura, o ex-vereador entrava com o projeto na Câmara, que era derrotado justamente devido à restrição legal. Entretanto, durante muitos anos ele levou os estudantes a acreditarem que a matéria não era aprovada por questões meramente políticas. Com isso, conseguia sair de herói e ser reeleito.

Esta entrada foi publicada em Sem categoria. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s