O POVO VAI ÀS RUAS

*Por Geraldo Elísio
“O Brasil honrará as suas dívidas, mas não ao custo do sangue do povo brasileiro”. – Frase do ex-presidente Tancredo Neves quando a oposição brasileira queria a moratória face à dívida externa em meados da década de 80.
No último sábado 27 de junho, a Associação Pró-Cidadania de Belo Horizonte promoveu em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais ato público exigindo reformas políticas e pedindo um basta na corrupção. Igual ao ato promovido pelo “Movimento Saia às Ruas”, em frente ao TJ mineiro, pedindo o afastamento do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, foi pequeno o comparecimento popular. Entretanto, o “grito de alerta está no ar”. Se somados todos os movimentos de protesto contra a atual conjuntura brasileira o público teria sido significativo. Obviamente levando-se em consideração que todos os movimentos desta natureza, exemplo da campanha das Diretas-Já, começam diminuto para, em sua reta final, atrair multidões. Não foi sem razão que o País foi reconduzido à normalidade democrática.
Do ponto de vista operacional as diversas organizações precisam se unir e realizar eventos conjuntos, fórmula adequada de superar tal questão. Motivação é o que não falta.
Por outro lado indaga-se, onde estão os movimentos populares? Estarão mesmo comprometidos com verbas polpudas e que podem, segundo os seus adversários, serem comprovadas através do SIAF? “E por falar em saudade”, onde está a União Nacional dos Estudantes – UNE? Onde anda o MST? Onde andam os políticos que se dizem comprometidos com a moralidade?
A exigência do diploma para o exercício do jornalismo foi dispensada. Mas onde andam os alunos das escolas de comunicação? Que eles estão preocupados com os seus futuros não resta dúvida que estão. Não é de se supor que perderam a coragem. Da mesma forma tantos e tantos formados, não se interessam pelo assunto. Preferem a comodidade de uma minoria silenciosa do que pacíficos protestos de rua? Quando o povo brasileiro quis levou Fernando Collor de Melo ao impeachment.
Outro detalhe a ser observado em tais manifestações é a insatisfação popular com o desempenho social do governo Aécio Neves. Obcecado em mostrar-se como um grande “tocador” de obras, mote para as suas pretensões à Presidência da República, contando a submissão quase total da Assembleia de Minas e o silêncio da mídia, o governador mineiro se esquece de importantes aspectos ligados à educação, saúde, segurança pública, cultura, geração de empregos e outros fatores que vão desgastando a sua imagem.
Na verdade o que o senhor governador deveria entender é que o marketing tradicionalmente leva desvantagem perante a notícia. Assim o movimento deflagrado pela Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais – AFFEMG – e Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais – Sindifisco-MG – que se movimentam diante das ações de protesto, ganha relevância, principalmente quando a CEMIG é colocada a serviço de interesses outros que não aqueles da sua finalidade exclusiva.
Para completar, as duas entidades denunciam que enquanto os valores estampados que mostram que o Imposto Estadual Sobre Energia Elétrica em Minas é o mais caro do País, outros contribuintes são privilegiados, ficando o imposto sobre joias estabelecido em 5%; imposto sobre helicópteros, 4%; imposto sobre iates, 12%; e imposto sobre automóveis de luxo, 12%. Ao afirmar que “Minas é muito grande para uma administração tão pequena” a AFFEMG e o Sindifisco-MG divulgam o seu endereço eletrônico http://www.sindifiscomg.com.br/
Como se vê existe um caldo de cultura propício ao desencanto popular.PS – Não restam dúvidas de que o ex-presidente da República José Sarney tem culpa no cartório. Entretanto, não é apenas o atual presidente do Senado que indigna os brasileiros. Queremos saber de todos os atos secretos, quem são os culpados e os beneficiários de tal imoralidade. Não é assim que se constrói uma democracia.
Além do mais com Renan Calheiros à solta no Congresso Nacional o povo deve estar atento para a possibilidade de uma eventual eleição de Collor de Melo para substituir o político maranhense. Alguém já pensou na hipótese do Congresso Nacional vir a eleger o seu presidente o mesmo político que um dia ele “impinchou”?
No sombrio quadro brasileiro, somente à luz de velas para encontrarmos uma saída.
Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas. gelisio@novojornal.com
* Geraldo Elísio escreve no Novo Jornal
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