Nelson Jobim: Um Golpista

Afinal, quem é Nelson Jobim?
O leitor diria: Ex-Deputado Federal e Ministro do Supremo Tribunal Federal e atual Ministro da Defesa.
Evidente que a memória popular consegue assimilar apenas fatos recentes, quando muito ocorridos nos últimos 20 anos.
Porém, 20 anos em política é muito pouco principalmente quando está em jogo o “Poder”.
As origens de Nelson Jobim
Nascido em Santa Maria no Rio Grande do Sul, (cidade mais militarizada do país), em abril de 1946, Nelson Jobim é neto de Walter Só Jobim, ex-governador do Rio Grande do Sul entre 1947 e 1951.
Anteriormente seu avô fora indicado juiz em Santa Maria, onde depois foi promotor público. Participando da Revolução de 1923 ao lado da Aliança Libertadora e na Revolução de 1930, junto de Getúlio Vargas.
Contraditoriamente, na Revolução de 1932, lutou ao lado dos paulistas, contra Getúlio tendo que se exilar no Uruguai.
Mesmo tendo participado na revolução de 1932 do lado paulista, durante o Estado Novo, após sua volta do exílio foi nomeado secretário de Viação e Obras Públicas do Rio Grande do Sul, cargo que ocupou de 1937 a 1943.
Em 1946, durante o governo de transição de Pompílio Cylon Fernandes Rosa, foi nomeado para secretário do Interior e Justiça.
No ano seguinte, nas primeiras eleições para governador após a Ditadura Vargas, derrotou o favorito Alberto Pasqualini, do PTB, por cerca de 19 mil votos e elegeu-se no pleito de 19 de janeiro de 1947.
Neste cenário nasceu e criou-se Nelson Jobim.
O outro lado
Foi sucedido no Governo do Rio Grande do Sul por Ernesto Dornelles, filho do general Ernesto Francisco Dornelles. Por tradição familiar foi enviado ao Colégio Militar de Porto Alegre.
Ingressou no Exército em 1918, cursando a Escola Militar do Realengo. Foi depois integrado ao Regimento de Cavalaria Divisionária, sendo depois transferido ao Regimento de Cavalaria Independente em São Borja.
Ao estourar a Revolução Federalista, deu combate aos revolucionários. Fez parte das tropas legalistas durante a revolta de tenentes de 1924, no Rio Grande do Sul, combatendo o movimento que daria origem à Coluna Prestes.
Em 1925 retornou ao Rio de Janeiro, onde cursou a Escola de Cavalaria e depois Escola do Estado Maior do Exército.
Participou, posteriormente, da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas, seu primo, à Presidência da República.
A chegada dos Dornelles a Minas Gerais
Ernesto Dornelles passou a servir em Minas Gerais, em 1933 no período intervencionista de Benedito Valadares, ligado ao gabinete do secretário de Interior, responsável pela relação do poder Executivo com o Judiciário. Dentre as atribuições estava a de indicação de promotores públicos e o provimento de tabeliões e escrivões, nos diversos cartórios do Estado, chegando a chefe de polícia, cargo que exerceu entre 1936 e 1942.
Em 1937 foi escolhido pelo então Governador de Minas Gerais, Benedito Valadares para o cargo de presidente do Minas Tênis Clube, cargo que exerceu até 1942.
Seria, então, transferido para o gabinete de Eurico Dutra, então ministro da Guerra.
Em 1943, durante o Estado Novo, major, foi indicado interventor no seu estado natal. Quando da queda de Getúlio, dois anos depois, foi substituído na interventoria em 1946, em um governo de transição de Pompílio Cylon Fernandes Rosa, que nomeou Walter Só Jobim, avô de Nelson Jobim para secretário do Interior e Justiça, como dito anteriormente. Após, Só Jobim elegeu-se governador.
Dorneles foi um dos responsáveis pela formação do Partido Social Democrático no Rio Grande do Sul, sendo eleito senador pelo estado para a Assembleia Nacional Constituinte, realizado ainda em 1945. Em 1946, foi promovido a coronel.
Em 1949, Dorneles passa para a reserva e, com a crescente oposição à Vargas no PSD gaúcho, ingressa numa cisão getulista do PSD, chamada PSD-A (“Autonomista”).
Nas eleições majoritárias de 1950 aceitou o convite de seu primo para uma “dobradinha” Vargas presidente e Dorneles governador.
Ambos foram eleitos e Dorneles acabou por ingressar no Partido Trabalhista Brasileiro.
Um ano após o fim de seu mandato como governador, Dorneles foi convidado a fazer parte do governo Juscelino Kubitschek, como ministro da Agricultura, tomando posse em 31 de janeiro de 1956.
Alguns meses depois, seria substituído no cargo, sendo transferido para a recém-criada Companhia Urbanizadora da Nova Capital, encarregada da construção de Brasília, como membro do conselho administrativo.
Em agosto de 1962, Dornelles tornou-se conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, cargo que ocupou até a morte, dois anos depois.
Ernesto Dornelles tinha um irmão, Mozart Dornelles, casado com a irmã de Tancredo Neves, Mariana Neves. Mozart é pai de Francisco Dorneles, tio de Aécio Neves e sobrinho de Tancredo Neves.
Como narrado, Ernesto foi opositor do avô de Nelson Jobim a quem sucedeu no governo do Rio Grande do Sul em aliança com Getúlio Vargas.
Lindolfo Collor
No primeiro governo de Getúlio Vargas, o avô do ex-presidente e atual senador Fernando Collor, Lindolfo Collor nascido em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, em fevereiro de 1890 foi ministro do Trabalho e dirigira no Rio Grande do Sul o jornal “A Federação”, órgão oficial do Partido Republicano rio-grandense.
E atribuído ao mesmo a Legislação Trabalhista Brasileira. Demitiu-se do Ministério em 1932 ao discordar dos rumos tomados pelo governo de Getúlio.
É necessário dizer que o Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático de São Paulo, juntamente com parte do Partido Republicano rio-grandense que tinha como Orgão Oficial o Jornal “A Federação” dirigido por Lindouro Collor juntamente com Walter Só Jobim avô de Nelson Jobim, que antes apoiara a Revolução de 1930, uniram-se, em fevereiro de 1932, na Frente Única para exigir o fim da ditadura do “Governo Provisório” e uma nova Constituição.
Como anteriormente descrito, os paulistas foram derrotados na revolução de 30 obrigando Lindolfo Collor a exilar-se na Argentina, voltando ao Brasil em 1934 e o avô de Nelson Jobim, Walter Só Jobim a exilar no Uruguai.
O jovem político Tancredo Neves
Durante a República Velha, segundo a Enciclopédia Wikipédia, Tancredo teria feito oposição a Artur Bernardes, sendo desta forma um antibernadista. Segundo a mesma fonte, São João Del Rei era uma das poucas cidades em que Bernardes não ganhava e que Tancredo iniciou na política através do apoio de Augusto Viegas, de São João Del Rei.
Porém, os acontecimentos políticos demonstram que o início de sua vida pública deu-se por ingerência de seu cunhado Mozart Dornelles, filho de Ernesto Francisco Dornelles e irmão de Ernesto Dornelles já anteriormente citado que fora indicado para vigiar os passos de Benedito Valadares, atuando na Secretaria de Interior.
Getúlio já estava no poder e o irmão de seu cunhado na secretaria de interior do Governo de Minas quando Tancredo formou-se em Direito, passando a exercer o cargo de promotor. Cargo na época de escolha da Secretaria de Interior e Justiça, desta forma subordinado ao poder executivo.
Tancredo ingressou na política pelo antigo PP (Partido Progressista), pelo qual foi eleito vereador em São João Del Rei em 1935, cargo que exerceu até 1937.
No mesmo ano do casamento de sua irmã com Mozart Dornelles (1935), dois anos após a vinda do irmão deste para Minas Gerais, Mozart estava no exército em São João Del Rei.
Já pelo PSD (Partido Social Democrático), elegeu-se deputado estadual (1947-1950) por ingerência direta de Benedito Valadares, sendo designado relator da constituição estadual mineira e, uma vez findos os trabalhos constituintes, assumiu a liderança de sua bancada e comandou a oposição ao governo de Milton Campos da União Democrática Nacional (UDN), que havia chegado ao Palácio da Liberdade após uma cisão no PSD mineiro e deputado federal (1951-1953).
A versão dada por políticos da época e que em 1953, havendo a vaga de ministro da Justiça que caberia a um deputado do PSD mineiro, JK e Getúlio acordaram na indicação do nome de Tancredo.
Tancredo licenciou-se do mandato e exerceu o cargo de ministro da Justiça a partir de 25 de junho de 1953.
Entregou o cargo de ministro quando do suicídio de Getúlio Vargas semanas após o início da crise política que culminou com um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda e resultou na morte do major da Aeronáutica, Rubem Florentino Vaz.
Origem política de Tancredo Neves
Jamais Tancredo admitiu em público o apadrinhamento político por Ernesto Dornelles. Pois, como dito anteriormente, ele fora chefe de polícia no período de Benedito Valadares impondo ferrenha perseguição aos opositores políticos do regime.
Principalmente a Arthur Bernardes, que voltara do exílio em Portugal, junto com seu companheiro de PR, Jorge Carone, pai de Jorge Carone Filho, ex-prefeito de Belo Horizonte casado na Revolução de 1964.
Meses depois da volta de Bernardes por iniciativa de Ernesto Dornelles, o chefe político de Viçosa foi obrigado a manter-se prisioneiro por mais de um ano em sua própria fazenda.
Arthur Bernardes havia participado do movimento de 32 e da tentativa de levante da então força pública mineira contra Getúlio Vargas.
Ernesto Dornelles foi sem dúvida alguma o principal algoz da classe política mineira.
Poucas pessoas têm conhecimento deste fato.
O sobrenome “Dornelles” de seu sobrinho Francisco era apenas uma coincidência. Não tinha nada a ver com Getúlio Vargas, como costumava dizer Tancredo. Nenhum órgão da imprensa deu grande importância a este fato.
Foi neste período que começaram a se formar as “Legiões Revolucionárias”, em alguns pontos do país. Para aglutinar as lideranças que participaram do movimento de 32, fundou-se o “Clube 3 de Outubro”, reunindo a fina-flor do “tenentismo”, com participação do próprio coronel Góis Monteiro, e com um apoio ostensivo de Getúlio Vargas, que lhe fez várias visitas e pronunciou discursos de preocupante teor totalitário.
A corrente civil logo passou à organização de milícias, usando uniformes especiais, à semelhança dos “camisas-negras” de Mussolini e os “camisas-pardas” de Hitler. Uma dessas milícias era a dos “camisas-cáqui”, fundada em Minas Gerais pelo ministro da Educação e Saúde, Francisco Campos, conhecida como “Legião Mineira”.
Tancredo evitava dar destaque a sua aproximação com Ernesto, principalmente após 1937, quando Getúlio Vargas apoiou Pedro Aleixo, fundador do Jornal Estado de Minas, para derrotar o líder mineiro Antônio Carlos na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, sendo, portanto, o primeiro substituto de Getúlio, pois não havia a figura do vice-presidente na Constituição de 1934.
A partir daí, Antonio Carlos desgostoso abandonou a vida pública, caindo no ostracismo junto com os políticos que o acompanhavam.
Foi em sua gestão que o presidente Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo no Brasil através do golpe de 10 de novembro de 1937.
Novojornal pesquisou durante mais de uma semana na internet, no Arquivo Público Mineiro e Nacional e nada encontrou a respeito.
A própria Fundação Getúlio Vargas, encarregada de manter a memória de Getúlio, nada sabia. Nelson Jobim sabia.
Apenas livros abaixo citados como “fontes”, narram a época informando estes fatos.
Em 2004, o major são-joanense Mozart Dornelles, primo em segundo grau de Getúlio Vargas, e cunhado de Tancredo lançaria, pela gráfica da UFSJ, seu livro “Política, políticos e militares” sobre o período de 1930 a 1966 – livro de memórias sobre o envolvimento de militares com o poder. Segundo ele: “A pressão foi grande”.
Tempos depois informava: “Devido à mudança na reitoria, não sabemos quando será lançado”, diz Dornelles.
A queda de Fernando Collor
Oitenta anos depois da Revolução de 1922 de 1930 de 1932, da deposição de Getúlio em 1945, seu retorno em 1950 e posterior suicídio, após a Revolução de 1964 e seu término em 1985, em setembro de 1991, os presidentes da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho, e da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Lavenère, vão à Câmara dos Deputados e entregam ao seu presidente, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), o pedido de impeachment do presidente Collor.
Instala-se uma comissão, cujo relator, Nelson Jobim (PMDB-RS), apresenta parecer favorável ao processo de impeachment. O parecer é aprovado na comissão. No dia 29, a Câmara autoriza o Senado a abrir processo de impeachment contra o presidente. São 441 votos a favor e 38 contra, com 23 ausências e 1 abstenção.
No dia 2 de outubro, Collor recebe o comunicado oficial do Senado afastando-o temporariamente da presidência pelo tempo em que durar o processo de impeachment.
No mesmo dia, Itamar Franco, vice-presidente que rompera meses antes com Collor, assume o cargo.
O processo, com recursos, defesas, batalhas jurídicas e novas provas se estende até o dia 29 de dezembro, quando se instala a sessão do Senado que julgaria o presidente afastado Fernando Collor de Mello.
No início da sessão, o advogado de defesa lê carta de renúncia de Collor. Itamar Franco toma posse em definitivo. Porém, o Senado prossegue com o julgamento e condena o ex-presidente por 76 votos a três. Collor perde seus direitos de concorrer a cargos eletivos e de ocupar cargos públicos por oito anos, além de ver instaurados os processos contra ele levantados pela CPI.
As irregularidades eram gritantes e evidentes, porém Nelson Jobim deveria, no mínimo, ter-se dado por impedido em relatar a matéria.
Naquele instante, os fatos interrompidos em 1950 com a aproximação de Nelson Jobim de José Serra, emendava-se à historia.
Segundo sua escola política: Estar no poder significa exercer o poder, não interessa as questões éticas.
Prova disso foi sua confissão de ter falsificado a Constituição da República. O que afinal aconteceu com ele? Foi indicado ministro da mais alta Corte de Justiça do país.
Seu comportamento no Supremo Tribunal Federal e posteriormente na articulação contra o voto impresso, aqui não cabe narrar para não alongar ainda mais.
Mas apenas uma evidência. O conflito entre ABIN e Policia Federal aumentou.
Dilma chegou a sua vez
Fontes ligadas às Forças Armadas desde o final de novembro de 2009 informavam que o ministro Nelson Jobim estava apenas esperando a apresentação do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos para lançar a “suspeita”, contra a ministra Dilma, de que sua candidatura e possível eleição seria o instrumento para o revanchismo contra os militares.
A imprensa paulista, principal interessada em evitar a instalação de uma Comissão que iria investigar sua participação e colaboração com o Golpe de 1964, já estava municiada de informações a respeito.
O informado confirmou-se, bastou o governo lançar o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, dando início a um processo que poderá ou não levar à criação de uma Comissão Nacional da Verdade no país, com o objetivo de apurar casos de violação de direitos humanos durante o regime militar, incluindo o levantamento de possíveis responsáveis, para que Jobim acendesse o estopim da crise.
Existe apenas a previsão de um grupo de trabalho que vai redigir um projeto de lei sobre a comissão, faz parte do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.
Se aprovada pelo Congresso Nacional, Câmara Federal e Senado, a Comissão da Verdade deverá divulgar relatórios anuais com a “apuração e o esclarecimento público das violações de direitos humanos” praticadas durante o regime militar (1964-1985).
O secretário nacional de Direitos Humanos, ministro Paulo de Tarso Vannuchi, disse em entrevista à BBC Brasil que “centenas de pessoas” deverão ser ouvidas, incluindo vítimas e possíveis agressores.
“O trabalho da Comissão é ouvir vítimas e sintetizar seus depoimentos, vinculando datas, locais, tipos de violência e responsáveis”, disse o ministro. Segundo ele, os relatórios vão ainda propor políticas públicas que “impeçam a repetição desses fatos”.
O ministro disse ainda que “pessoalmente” não considera “ideal” a proposta do governo, mas que ela é o resultado natural de um “processo democrático” de discussões com outros ministérios.
Posição de um Civil falsamente fardado
Durante as discussões sobre a criação da Comissão, o governo enfrentou a oposição principalmente do Ministério da Defesa, dizendo-se contrário à punição dos torturadores.
“Não é a proposta que eu proporia, assim como também não é a proposta que o ministro Nelson Jobim (Defesa) proporia. Mas temos de acreditar nisso, na capacidade de cada um ceder um pouco”, disse Vannuchi.
Os defensores da criação da Comissão da Verdade afirmam que é um direito das famílias de pessoas torturadas e mortas durante o regime militar, muitas das quais nunca conseguiram localizar os corpos dos parentes desaparecidos.
Plantando o que pretendia colher, depois o ministro Jobim falou em entrevistas sobre o “risco de revanchismo” e a criação de atritos desnecessários com as Forças Armadas.
“Uma coisa é o direito à memória, outra é revanchismo e, para o revanchismo, não contem comigo”, disse Jobim em uma entrevista à Agência Brasil em junho.
Lei da Anistia
Apesar de ter como objetivo uma investigação “rigorosa” dos fatos, de acordo com Vannuchi a Comissão da Verdade não terá poderes para punir responsáveis, mas poderá “subsidiar” a Justiça no futuro.
Ele lembra que é preciso aguardar a revisão da Lei da Anistia (1979) pelo Supremo Tribunal Federal. “Caso o STF entenda que os torturadores não podem ser anistiados, aí sim teremos um ordenamento jurídico no país para a punição dessas pessoas”, diz.
Segundo ele, mesmo que o STF decida o contrário – ou seja, que a anistia deve ser estendida aos responsáveis pelos crimes -, “ainda assim a existência da Comissão faz todo o sentido”.
“A idéia é que a sociedade saiba exatamente o que aconteceu no nosso passado. A Alemanha viveu, no nazismo, um sentimento infinitamente mais doloroso e as pessoas não deixam de discutir o assunto, inclusive nas escolas”, diz Vannuchi.
Muitos dos defensores da criação da Comissão da Verdade alegam que os responsáveis por mortes e atos de tortura durante o regime militar ainda podem ser punidos e afirmam que, conforme acordos internacionais assinados pelo Brasil, crimes e violação dos direitos humanos não prescrevem.
No entanto, setores contrários à instalação da comissão argumentam que a Lei da Anistia teve o objetivo de reconciliar o país, abrangendo tanto perseguidos políticos quanto acusados de atos de tortura.
Em entrevistas anteriores, o ministro da Defesa afirmara que considera essa interpretação sobre a prescrição dos crimes um equívoco.
“Dizem que os tratados internacionais consideram alguns crimes imprescritíveis. Mas no Brasil não é assim. Os tratados internacionais aqui não valem mais que a Constituição. Eles estão sujeitos à Constituição brasileira, que dá imprescritibilidade para um crime só: o de racismo. Trata-se de uma questão legal”, disse Jobim em entrevista à Agência Brasil.
Suas palavras são contraditas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que fundamentou sua decisão pela entrega do menino Sean a seu pai Americano em função de Tratados Internacionais que Jobim tenta desacreditar.
Desconfiança
Apesar de ser uma antiga demanda das famílias das vítimas do regime militar, a Comissão da Verdade nos moldes propostos pelo governo Lula é vista com desconfiança por algumas entidades de defesa dos direitos humanos, como o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) e o grupo Tortura Nunca Mais.
A representante no Brasil do Cejil, Beatriz Affonso, diz que uma Comissão da Verdade, em qualquer país, só tem um papel efetivo quando atende a determinados princípios.
“É preciso haver garantias, por exemplo, de que as audiências da Comissão serão públicas e de que a Comissão terá poderes para fazer buscas em arquivos”, diz.
Ela lembra que os principais trabalhos de investigação sobre crimes cometidos durante o regime militar no país foram feitos com base em relatos e documentos levantados pelas próprias famílias.
“Só daremos um passo definitivo nesse processo quando o governo colocar seus próprios documentos à disposição. E isso deve ser feito pela Comissão da Verdade”, diz Beatriz.
Segundo ela, o governo tem tido uma postura “contraditória” ao lidar com o tema de direitos humanos, principalmente no que diz respeito ao regime militar.
“O mesmo governo que propõe a Comissão da Verdade também pede à Corte da OEA o arquivamento da ação sobre a Guerrilha do Araguaia”, diz Beatriz.
“O Brasil reconhece a responsabilidade internamente, mas não o faz na arena internacional”, acrescenta.
A hora do Golpe
Após a cerimônia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, coloca o cargo à disposição de Lula informando que os comandantes das três Forças também colocaram os cargos à disposição.
Lula teria pedido a Jobim que tranqüilizasse os ministros militares prometendo que colocaria a base do governo no congresso contra a proposta de revisão da Lei de Anistia.
Segundo Jobim, os militares acataram a decisão, mas reclamaram da posição “vacilante” do Planalto e do “ambiente de constantes provocações” criado pela secretaria de Vannuchi e o ministro Tarso Genro (Justiça).
Incomodaram-se também com o que avaliaram como “empenho eleitoral excessivo” da ministra Dilma no apoio a Vannuchi.
Jobim tentou passar a imagem de que para as Forças Armadas, a cerimônia de premiação de vítimas da ditadura, no dia 21, foi “uma armação” para constranger os militares, tendo Dilma como figura central, não só por ter sido torturada, mas por ter chorado e escolhido a ocasião para exibir o novo visual de cabelos curtíssimos, depois da quimioterapia para tratamento de um câncer linfático.
Presidente da OAB critica Nelson Jobim
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, criticou no dia 30/12/2009, o ministro da Defesa, Nelson Jobim e os comandantes militares por serem contra a criação da Comissão da Verdade dentro do Plano Nacional de Direitos Humanos, que deve investigar a tortura e os arquivos do período da ditadura militar (1964-1985).
“Um País que se acovarda diante de sua própria história não pode ser levado a sério: o direito à verdade e à memória garantido pela Constituição não pode ser revogado por pressões ocultas ou daqueles que estão comprometidos com o passado que não se quer ver revelado”, afirmou Britto, em nota divulgada pela assessoria da OAB.
A OAB defende no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal Militar (STM) ações reivindicando a abertura dos arquivos da ditadura e a punição aos torturadores. “O Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade; anistia não é amnésia. É preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos: o povo que não conhece seu passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória como tempos idos e não muito distantes.
O silêncio da Imprensa em relação ao Golpe
No mínimo é estranho que a imprensa não divulgue que nem todos os setores das Forças Armadas acreditam em Nelson Jobim, ao contrário já previam este comportamento e o tinha denunciado.
Estes setores preocupados com o comportamento de Nelson Jobim já teriam, através de interlocutor, tentado aproximar o governador de Minas, Aécio Neves, de Nelson Jobim para neutralizá-lo.
Entretanto, para estes interlocutores a dificuldade em convencer assessores de Aécio é grande. Segundo estes: “Tancredo morreu cedo demais”.
Pelo visto esqueceu de contar a Aécio no mínimo o que Novojornal aqui descreve. Porque ele, sem dúvida, será o próximo na linha de tiro.
Eduardo Azeredo já esta nas suas costas.
Quem conhece Nelson Jobim sabe que está aproveitando a “simulada crise”, para fortalecer José Serra, em um setor da sociedade que tradicionalmente o rejeita.
É importante que seja dito que Nelson Jobim é abertamente favorável à candidatura de José Serra. Na verdade são amigos, moraram durante quase uma década em Brasília no mesmo apartamento.
Embora no campo ético seja questionável, não existe qualquer problema no fato de um ministro do governo do PT, entender que o melhor candidato à Presidência seja o do PSDB.
Em Minas, o PT e PSDB são praticamente irmãos.
Ou até mesmo Jobim, insatisfeito com o atual quadro de candidatos resolva se lançar candidato a presidente pelo PMDB. Ou a vice de Serra.
Não existe novidade, o PMDB paulista já apóia Serra.
Porém, o que não pode fazer é praticar impunemente vícios da Velha República colocando em risco a estabilidade política do país.
Novojornal sabe do risco que corre ao divulgar esta matéria.
Mais do que nunca o Brasil precisa aferir se realmente alcançamos o patamar de país democrático, ou ainda somos uma republiqueta.
É necessário reconhecer e dizer que nossos militares mudaram muito.
Não são ingênuos como os de 1964 que reconhecidamente tinham ideais revolucionários, mas deixaram-se levar por políticos inescrupulosos.
Sobre seus ideais caberá apenas à história julgar.
As perseguições políticas que houveram foram promovidas por políticos como Magalhães Pinto e outros.
As listas de cassações e prisões ocorridas neste período eram apresentadas por políticos civis como documentalmente comprovado.
Quanto à tortura, isto jamais esteve no campo político. Em todo mundo está no campo criminal.
É necessário que esta elite golpista que, desde a implantação da República há 100 anos vem utilizando-se das Forças Armadas para chegarem ao poder, seja desmascarada.
Como no resto do mundo democrático a eleição presidencial de 2010 deverá estar acessível a todos que estejam dispostos a concorrer.
Dizer que todos os candidatos terão a mesma oportunidade é pura hipocrisia. Todos sabem da disparidade de recursos e estrutura partidária entre os diversos candidatos.
Qual será o melhor candidato?
Apenas a história dirá.
Os erros e defeitos dos candidatos serão debatidos no período eleitoral.
A liberdade de imprensa não deve servir apenas para noticiar fatos praticados por um vereador, prefeito, deputado, juiz ou promotor. Ela, se realmente existe, é para levar ao conhecimento da sociedade o comportamento e atitudes seja de quem for.
Esclarecemos ao leitor que o conteúdo histórico desta matéria tem como objetivo informar e situar o leitor em um período que antecedeu os fatos que estão ocorrendo.
Para que ele possa, com independência, julgar o que está sendo noticiado.
Porém, acima de tudo é necessário que seja dito sem medo: Nelson Jobim sempre foi um Golpista. Está impregnado em sua genética.
Marco Aurélio Carone
Diretor responsável do Novojornal
Fontes:
JORGE, Fernando, Getúlio Vargas e seu Tempo, 2 vol., T. A. Queirós, 1986.
VARGAS, Getúlio, A campanha presidencial, Editora José Olímpio(1951).
MELO FRANCO, Afonso Arinos de, A Câmara dos Deputados – Síntese Histórica, Coordenação de publicações – Câmara dos Deputados, 1978, 2º edição.
BONAVIDES, Paulo e AMARAL, Roberto, Textos Políticos da História do Brasil, 9 volumes, Senado Federal, DF, 2002.
AMARAL, Lêonidas do, Os Pródromos da Campanha Presidencial, Edição do Autor, São Paulo, 1929.
PEREIRA, Maria L, FARIA, Maria A., Presidente Antônio Carlos – Um Andrada na República, o Arquiteto da Revolução de 1930, Nova Fronteira, 1999.
CORDEIRO DE FARIAS, Osvaldo, Meio século de combate, Editora Nova Fronteira, 1981.
CARMO CHAGAS, Política Arte de Minas, Editora Carthago & Forte, São Paulo, (1994).
AMAURÍLIO JÚNIOR, Artur Bernardes e a Revolução, Typ. São Benedito, Rio de Janeiro, 1931.
ABREU, Luciano Aronne de. O Rio Grande Estadonovista: Interventores e Interventorias. Unisinos, São Leopoldo, 2005.
BELCHIOR PEDRO, O dia em que a classe operaria foi a rua em del-Rei, Ponte da Cadeia, São João Del Rei, 2004.
Fonte: Novo Jornal
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