Rodrigo Vianna: como a Globo pode perder o monopólio do futebol

Nos cadernos de “Esporte” dos jornais, e nos sites e blogs especializados em futebol, duas notícias ganharam destaque essa semana: 1) a possibilidade de a Fifa vetar o estádio do Morumbi como sede para a Copa de 2014 (foi um “furo” do Estadão, depois desmentido — em parte — por outros jornais); 2) a (re)eleição de Fabio Koff para dirigir o Clube dos 13 (que reúne os maiores clubes de futebol do Brasil).
Por Rodrigo Vianna, no blog  Escrevinhador
Quem não acompanha futebol de perto, a essa altura, já deve ter aberto um sonolento bocejo: “Ah, isso é papo pra mesa redonda, domingo à noite”. Engano. As duas notícias estão ligadas, e são a face aparente de uma batalha — milionária e silenciosa — travada nos bastidores do esporte mais popular do Brasil.
Acompanhar essa batalha é tão importante quanto — por exemplo — saber detalhes sobre a fusão do Pão de Açúcar com as Casas Bahia. Ou discutir se o governo vai dar (mais) dinheiro para gigantes da telefonia.
Vamos por partes.
O Clube dos 13 é quem negocia os direitos de transmissão dos jogos na TV. Atualmente, a Globo é a dona do futebol no Brasil. Pagou, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão por três anos de exclusividade na transmissão (e repassou à Band parte dos direitos).
Vários clubes acham que o valor é baixo. Mas outros tantos clubes estão de joelhos: endividados, vivem dos adiantamentos (pelos direitos de transmissão) que a Globo oferece.
Quem conhece de perto esse mercado, concorda: a Globo paga pouco para ser a dona do futebol no Brasil.
Um grupo de dirigentes resolveu peitar a Globo e sua aliada CBF. O confronto não é aberto. É uma guerra de bastidores. Esse grupo (liderado, entre outros, pela diretoria do São Paulo F. C.) decidiu apoiar Fabio Koff para mais um mandato na presidência do Clube dos 13.
Essa turma calcula que, no próximo triênio (2012/2013/2014), o “pacote do futebol” deveria ser vendida pelo dobro: R$ 3 bilhões!
A Globo e a CBF não gostaram disso. Para enfrentar Koff, lançaram o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite.
Nessa história, claro, ninguém é bonzinho, e nem é possível ser muito esquemático — mas as forças estão assim divididas: Globo/CBF/Kleber Leite x Fabio Koff/principais lideranças do Clube dos 13.
A Globo e a CBF perderam.
Acredita-se que isso abre a chance de negociações mais amplas para transmissão do futebol. A Globo pode perder o monopólio. Há pelo menos uma chance. A Record já lançou um comunicado sobre o fato.
E o que isso tudo tem a ver com a notícia de que o Morumbi não vai mais ser a sede paulista da Copa?
Conversei com três jornalistas que acompanham muito de perto os bastidores do esporte, e os três me garantiram que a fonte da tal matéria do Estadão seria o poderoso dueto carioca que saiu derrotado na eleição do Clube dos 13. Seria uma vingança contra o São Paulo F.C. — que fez campanha aberta por Koff, e é um dos clubes que comandam o movimento pela majoração do “pacote futebol”.
Quem diz isso é ese blogueiro que — vocês sabem — não tem smpatia nenhuma pelo time do Morumbi. Mas esses são os fatos. Ou, ao menos, as versões que circulam nos bastidores do futebol.
Será que a CBF pode mesmo fazer campanha contra o Morumbi junto à Fifa? Como vingança? Ou mandou só um recado ao time do Morumbi?
A Fifa, oficialmente, nega que tenha vetado o estádio sãopaulino como sede da Copa.
Acompanhar essa história é importante.
O cenário, hoje, é menos favorável para a Globo. Não quer dizer que a emissora carioca deixará de transmitir futebol. Seria ingenuidade pensar nisso. Mas, talvez, a emissora dos Marinho tenha que entregar uma fatia do mercado para as concorrentes.
Se o novo Clube dos 13 insistir no pacote de R$ 3 bilhões, calcula-se que a Globo sozinha não teria como bancar o negócio.
Os clubes poderiam fatiar as transmissões, entregando algumas para a Globo, e outras para quem oferecer a melhor proposta. Isso em dias e horários diferentes ao longo da semana…
O tripé da Globo é futebol/novela/notícia. Esse tripé corre risco de ficar manco. Se a Globo perder uma fatia do futebol, perderá força, dinheiro e poder. Seria saudável para o público, para os clubes (que teriam opções para negociar), para o mercado publicitário (que não ficaria refém de um grupo), e para a democracia (com menos poder concentrado na mão de uma única família).
Essa seria a regra, num país mais civilizado.
Mas aqui — onde os capitalistas fazem simpósios para defender a liberdade, mas adoram um acerto cartorial pelo alto — tudo pode acontecer!
E esse “tudo pode acontecer” — sim — seria perfeito numa mesa redonda domingo à noite! Um dia eu chego lá…
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